Serra do Amolar Pantanal – um dos segredos mais bem guardados do Brasil

Vista da Serra da Amolar refletida no rio
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A Serra do Amolar é a última fronteira do Pantanal, um lugar ainda intocado pelas mãos do homem, que reserva uma enorme riqueza natural. Ao todo são 80 km de serras, distribuídos em 300 mil hectares entre os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato grosso, e a Bolívia. A Serra do Amolar é um dos segredos mais bem guardados do Brasil.

A Serra do Amolar ao fundo com o rio na frente e pasaros em arvores entre a montanha e o rio

A Serra do Amolar é considerada uma área de extrema riqueza natural e deve ser preservada. Ela é uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), ou seja, uma unidade de conservação de domínio privado, que está sob a gestão do Instituo Homem Pantaneiro (IHP), que atua na preservação natural e cultural da região há mais de 20 anos.

Até pouco tempo, fazer turismo na Serra do Amolar era uma tarefa quase impossível, mas em 2021, o Intituto Homem Pantaneiro (IHP) inaugurou a Amolar Experience, um braço turístico para atrair visitantes e divulgar mais o local. Eles acreditam que o turismo pode ser um importante aliado na consevação local e por isso querem que mais pessoas vejam e vivenciem a Serra.

Durante a nossa passagem pelo Pantanal, fomos convidados a conhecer a Serra do Amolar com a Amolar Experience, passando três dias lindos nessa região e agora contamos para vocês tudo o que você precisa saber para conhecer a Serra do Amolar no Pantanal também. A gente já adianta que essa será uma viagem diferente de tudo o que você já viu, com experiências potentes e transformadoras que você carregará por muito tempo.

Serra do Amolar no Pantanal

Vista do vale na Serra do Amolar

Onde fica a Serra do Amolar

Muita gente não sabe, mas a Serra do Amolar faz parte do Pantanal. Ela é, na verdade, uma das serras que delimita o Pantanal, juntamente com a Serra da Bodoquena e o chaco boliviano. A Serra fica entre os Estados do Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT) e a Bolívia, fazendo parte do município de Corumbá, no MS.

A Serra do Amolar e o Instituto Homem Pantaneiro (IHP)

A região é habitada há centenas de milhares de anos. Quando os portugueses lá chegaram, mais de 3 milhões de indígenas das etnias Guató, Chamacoco, Kadiwéu, Terena e Bororo habitavam a região. Hoje em dia, restaram apenas os Guató, que juntamente com algumas comunidades ribeirinhas, compõem o núcleo de habitantes da Serra do Amolar.

O IHP surge na região em 2002, por iniciativa do coronel Ângelo Rabelo. O coronel havia sido transferido para o Pantanal na déc. 80 para atuar como policial militar ambiental combatendo a caça ilegal de jacarés e ariranhas. A experiência fez com que ele criasse um vínculo profundo com a região, culminando na criação do IHP, que tem como missão preservar o bioma e a memória do homem pantaneiro.

Um jacaré na beira do rio da Serra do Amolar

*Sinceramente, não somos muito chegados às organizações militares, então antes de conhecermos o coronel estávamos com muitos “pés atrás”. Fomos desarmados em menos de um minuto de conversa… o coronel Rabelo nos pareceu uma pessoa extremamente competente e verdadeira (sem contar que engraçado também). O nome dele surgiu em vários outros momentos durante a nossa viagem pelo Pantanal e percebemos o quanto ele é bem-quisto pelas pessoas, sendo muito elogiado pelo seu trabalho. O IHP como um todo nos transpareceu ser muito sério e organizado, tendo uma equipe de profissionais muito apaixonados e competentes.

Os incêndios da Serra do Amolar

Um dos maiores desafios do IHP surge em 2020, quando 90% da região foi tomada pelo fogo em uma cena que até hoje provoca reações emocionadas naqueles que presenciaram a tragédia. Muitos animais morreram e parte da vegetação segue carbonizada até hoje, como que para nos lembrar dos perigos do desequilíbrio ambiental neste bioma tão dependente dos ciclos da chuva e tão afetado pela ação humana.

Pássaro em galho de árvore seco na beira do rio da Serra do Amolar

Os incêndios foram tão brutais que o IHP resolveu tomar medidas preventivas para evitar que o cenário se repita. O Pantanal como um todo é uma região suscetível a incêndios por conta das temporadas de seca, mas não há dúvidas de que a ação humana esteja contribuindo para que um processo que há anos funciona, esteja saindo do controle. O Pantanal depende, por exemplo, diretamente dos rios voadores provenientes do amazonas, cada vez mais escassos devido ao desmatamento da maior floresta do mundo.

Entre as medidas preventivas adotadas pelo IHP está uma brigada de incêndio com atuação durante o ano inteiro – em outros parques do ICMBio por exemplo, as brigadas têm atuação sazonal, apenas – , isso porque o Instituto entende que a preservação e conscientização são os passos mais importante para evitar a tragédia.

Durante o ano inteiro a equipe brigadista desenvolve projetos educacionais e de insfraestrtutura em toda a Serra, contando inclusive com equipamentos de alta tecnologia, como um sistema de câmeras com sensores de temperatura que alerta no caso de qualquer foco de incêndio (tivemos a oportunidade de ver as câmeras funcionando e ficamos muito impressionados). Algumas empresas privadas também apoiam o projeto de preservação da Serra do Amolar, como a Jeep, que cedeu veículos para a brigada.

 

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Para quem acompanhou nas redes sociais, nossa viagem pelo Pantanal também foi apoiada pela Jeep, que nos cedeu um Jeep Commander para que pudéssemos percorrer até os cantos mais remotos e difícies do Pantanal com tranquilidade. Imagina então a nossa realização ao descobrir que eles também tinham um dedinho na iniciativa de preservação da Serra do Amolar!

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Turismo Serra do Amolar

Vista da Serra da Amolar refletida no rio

Mas ok, já falamos de um monte de coisa e você deve estar se perguntando “como chegar na Serra do Amolar”. Como explicamos, a Serra é uma RPPN sob gestão do IHP e por isso, uma das únicas opções para chegar lá é através deles. Visitar a Serra do Amolar não é barato (o visitante pode esperar investir ao menos R$ 1.000,00 por dia, com tudo incluso – barco, acomodação, alimentação e passeios.

Como visitar a Serra do Amolar

Há dois pontos de partida para a Serra do Amolar: a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul (de onde saímos), e Porto Jofre, no Mato Grosso. A partir desses pontos, você pode fretar um avião, ou então pegar um barco até a Serra do Amolar.

Fernanda com o sol na cara dentro do barco indo para a Serra do Amolar

Nós saímos de Corumbá em uma viagem de barco que durou 5h pelo Rio Paraguai. A paisagem que você vê subindo o rio é simplesmente deslumbrante. Tenha sua câmera sempre com você. Além disso, use chapéu e mangas compridas para o passeio. Você não sentirá o sol queimando por causa do vento, mas acredite, queima.

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O Amolar Experience

Martinho Pescador posando em cima de um galho

O pacote da Amolar Experience já inclui o trajeto de barco, a acomodação na base do IHP na área conhecida como Acorizal, alimentação, e todas as atividades praticadas durante a estadia.

Por conta da distância, é recomendado ficar por pelo menos três noites. Eles só recebem no máximo 12 pessoas por vez em sua base e é necessário reservar a viagem com pelo menos 15 dias de antecedência, pois há toda uma logística envolvida na organização da visita.

O roteiro de viagem é meio que personalizado, pois há muitas atividades possíveis na Serra, desde trilhas, a passeios de barco, visita à aldeia indígiena Guató e outras comunidades ribeirinhas, etc.

Em todos os momento você estará acompanhado de um guia, que vai explicando vários aspectos da fauna, flora e cultura local. A possibilidade de ver muitos animais é grande e inclusive, no dia seguinte a nossa partida, o grupo que ficou para trás viu uma onça pintada (imagina a nossa tristeza por não termos partilhado desse momento)! Durante a viagem de barco para a Serra do Amolar, também rola uma visita à comunidade ribeirinha Barra do São Lourenço pra conhecer melhor o trabalho das artesãs locais e uma parada no Rio Paraguai-mirim para um banho delicioso em suas águas cristalinas.

Vista aérea de Acorizal, base de acampamento da Serra do Amolar

Como nós ficamos apenas duas noites, fizemos somente uma trilha e um passeio de barco até a baía Gaíva, na fronteira com a Bolívia. Mesmo rápida, a nossa passagem por lá nos tocou profundamente e até mesmo agora, enquanto escrevo este texto em São Paulo cercada de prédios, consigo lembrar vividamente das cores, cheiros e sabores da Serra do Amolar.

Existem outras formas de visitar a região, como sendo convidado por alguma família local, ou então em um dos barcos hotéis especializados principalmente em pescaria, mas a forma que optamos e recomendamos é através do IHP.

As trilhas da Serra do Amolar

O Macaco Zogue-zogue endêmico da Serra do Amolar em cima da árvore
O Macaco Zogue-zogue endêmico da Serra do Amolar

Uma das principais atividades durante uma visita à Serra do Amolar são as trilhas para conhecer melhor a fauna e a flora local. É durante essas incursões que você tem mais chances de ver onças pintadas e tantos outros animais, mas principalmente, de conhecer melhor o trabalho do Intituto Homem Pantaneiro. Isso porque essas trilhas foram feitas com propósito de pesquisa e preservação, tanto que é comum encontrar armadilhas fotográficas para monitorar a fauna, containers de água para serem usadas em caso de incêndio e outros dispositivos e tecnologias.

Enquanto se percorre as trilhas, os guias, que na verdade são biólogos e outros profissionas que trabalham nos projetos do IHP, vão explanando a funcionalidade de cada dispositivo encontrado e como é o trabalho do instituto. Isso quer dizer que nada foi criado para o turismo. Nenhuma destruição da natureza foi feita para acomodar os turistas. É totalmente sustentável. E é por ter esse nível de preservação que você pode ver muitas espécies de pássaros e outros animais. Essa região é um verdadeiro refúgio para a biodiversidade.

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Quando visitar a Serra do Amolar

Vista aérea da baía de Guaia na Serra do Amolar com um barco vendo o por do sol no horizonte

Até agora só falamos das coisas boas, então está na hora de revelarmos o lado não tão belo de lá: os pernilongos. Eles estão por todos os lados e não dão sossego. Por conta deles, se torna invíavel visitar a Serra de dezembro a março, quando a Amolar Experience nem sequer opera.

A temporada para turismo tem início em abril, mas sinceramente, é somente a partir de maio que os pernilongos dão uma trégua. A nossa visita foi durante abril e sofremos um pouco com eles, que não pareciam nem um pouco incomodados com os três quilos de repelente que passávamos no corpo a cada hora.

O que levar para sua viagem

Grande árvore com raíses que saem do tronco da árvore até o chão

  • Tênis;
  • Roupa para trekking;
  • Roupa para nadar (tem piscina na base onde dormimos);
  • Repelente (muito);
  • Protetor solar;
  • Chapéu e óculos de sol;
  • Bebida alcoólica não está inclusa, então se quiser levar uma cervejinha ou vinho para uma tarde em volta da fogueira, fica a seu critério;

Ah, e para quem precisa trabalhar, a internet da base funciona relativamente bem!

Quanto custa viajar para a Serra do Amolar

Duas pessoas em um kayak no rio com a serra do amolar ao fundo visto do alto

Como expliquei, o roteiro de viagem da Serra do Amolar é feito de forma personalizada, baseado nos interesses e vontades de cada grupo, o que pode encarecer ou baratear a viagem. Como base, você pode esperar pagar mais ou menos R$ 1.000 por pessoa, por dia, para a viagem, incluindo tudo, transporte (de barco) saindo de Corumbá ou Porto Joffre, alimentação, hospedagem, atividades e etc.

Vale ressaltar que todo o dinheiro é utilizado para pagar as despesas referentes à viagem e também revertido para os projetos de preservação do IHP.

Curiosidades da Serra do Amolar

Arte rupestre em pedra na beira do rio da Serra do Amolar

Arte rupestre na região

Um dos passeios mais bonitos que fizemos na Serra do Amolar foi a viagem de barco para Guaíva, segunda maior baía do Pantanal, bem na fronteira com a Bolívia. Lá é possível ver vestígios de quem viveu na região há mais de 3 mil anos! Além das pinturas rupestres, há outros sítios arqueológicos nesta região.

Origem do nome

A Serra do Amolar é uma região repleta de rochas. Pela peculiaridade do bioma Pantanal, as rochas daqui também são diferentes. Os moradores usavam essas rochas para afiar suas ferramentas, como facas, facões e cutelos. Por isso, a região ganhou este nome, Amolar.

Corumbá – o ponto de partida

Fernanda sentindo o vento e o sol no rosto na frente de uma arvore na Serra do Amolar

Corumbá já foi uma das mais importantes cidades do centro-oeste brasileiro e ainda mantém um centrinho histórico charmoso, além de oferece vários passeios em Corumbá legais para os turistas, como:

  • Fazer a Estrada Parque de carro para explorar a vida selvagem (recomendamos os meninos da Agência Icterus);
  • Flutuação no Rio Paraguai-mirim com a Aguapé Ecoturismo;
  • Visita à comunidade Motacusito na Bolívia e tour guiado com mulheres da comunidade em uma caverna próxima;
  • E claro, visita à Serra do Amolar!.

Onde ficar em Corumbá

Para quem for passar um tempinho a mais em Corumbá, recomendamos o Virginia Palace Hotel ou o Santa Monica Hotel, que ficam no centro da cidade e oferecem quartos simples, mas gostosos e um ótimo café da manhã. Veja outras opções de acomodações em Corumbá aqui.