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No dia 10 de abril de 2015, Tiago e Javi (amigo e também voluntário) saíram de Tala, Kenya, cidade que moramos atualmente, de bicicleta destino a Mombasa, na costa queniana. O plano era pedalar mais de 500km para enfim se encontrarem com Fernanda e outros amigos voluntários que fariam o mesmo trajeto, mas de ônibus. O destino comum era Tiwi Beach, a 25km sul de Mombasa. Assim fomos nós, mochilando pela África.

Veja em 5 razões porque você deve ir para o Quênia!

Mochilando pela África

PS – O TIago está trabalhando no seu O Diário de Bicicleta, texto em que contará melhor essa aventura!

Primeira parada: Onde dormir?

Chegamos todos a essa praia pouco conhecida na noite do dia 16 de abril e já corremos para um primeiro mergulho no Oceano Índico! Água quente, poucas ondas, areia macia e branca e um céu estrelado indescritível!

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Sol nascendo na praia de Tiwi

Ali conhecemos um homem que morava na região e que foi nos levando por uma trilha onde tivemos que passar debaixo de rochas e caminhar no escuro para finalmente chegar à casa de pessoas que não sabíamos quem eram. Sem entender nada, demos um pouco de dinheiro a eles (equivalente a R$ 15 cada um) e nos serviram jantar, compraram bebidas e deixaram que acampássemos no jardim da casa, que era a própria praia.

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Está escuro… mas pode-se ver a Fernanda e as bebidas!!

No dia seguinte descobrimos que na verdade a casa era de uma família e que durante a alta temporada funcionava como restaurante e também hotel. Há alguns anos, Tiwi era um destino famoso entre os viajantes que buscavam privacidade, mas infelizmente, atualmente está um pouco esquecida.

Praia de Tiwi

Os resorts estão fechados e quase não se vê ninguém na praia. O acesso a Tiwi no entanto é muito fácil. Ao chegar em Mombasa (seja de avião, carro ou ônibus), precisa-se apenas cruzar a balsa e pegar um matatu (transporte público utilizado por aqui que nada mais é que uma van superlotada) que custa mais ou menos R$10. Alternativamente, dá para fazer o mesmo trajeto de táxi, por R$100.

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A balsa em Mombasa

O matatu te deixa no centro comercial de Tiwi Beach (que se resume a dois bares e um mercadinho) e de ali há várias opções de pic pic (moto-táxi) para te deixar onde quiser. Nós optamos em chegar sem nada organizado e não tivemos muitos problemas, mas para os que preferem viagens mais planejadas, há diversas opções de hospedagem na internet que variam de preço (inclusive camping).

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Nos despedindo da praia de Tiwi

Chegando na praia de Diani

Dois dias em Tiwi e marchamos a Diani Beach, a praia mais conhecida do Quênia e considerada a terceira mais bonita da África segundo o Traveller´s Choice Award do TripAdvisor (Praslin Island em Seychelles e Camps Bay na África do Sul foram eleitas a primeira e segunda respectivamente).

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Diani, diferentemente de Tiwi, é uma praia com muita estrutura para turistas: shopping centres, mercados, bares, hotéis de luxo e hostels estão por todos os lados. Entretanto, mesmo na alta temporada – julho a setembro e dezembro a março – não se tem a sensação de superlotação. O lugar é paradisíaco e agrada tanto aos que buscam tranquilidade quanto aos mais festeiros.

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We are in Diani Beach!!

Onde ficar

Diani Campsite

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A piscina do Diani Campsite

No primeiro dia, nos hospedamos no Diani Campsite, que oferece desde camping a chalés. Com tudo vazio devido a baixa temporada, conseguimos baixar o preço para 10 euros por pessoa por uma casa com três quartos e de frente para a piscina. Em Diani, assim como no restante do Quênia (e provavelmente em toda a África), absolutamente TODO preço é negociável. Ideal para os pechinchadores de plantão.

A praia fica a dois minutos caminhando do hotel e na mesma rua, em frente ao mar, há um quiosque comandado pelo Capitão (restaurante sem nome) que oferece comida boa a preço super acessível (R$ 20 por pessoa para comer polvo e peixe frescos, arroz, chapati e salada, além de água de coco fresca a R$1,50).

Dica: o Capitão tem seu próprio barco e por R$ 6 reais pode te levar à ilha mais próxima para praticar mergulho.

Stilts Tree Houses

Em seguida nos mudamos para um hostel chamado Stilts, onde dormimos em um bangalô entre as árvores repleta de macacos e lêmures!

As acomodações são confortáveis e os banheiros espaçosos e compartilhados, além de um bar e restaurante superagradável. O preço gira em torno dos 1000ksh por pessoa (R$30) para uma habitação com três camas. Às 5 da tarde de todos os dias pode-se alimentar os macacos. Mas muito cuidado! Não deixe nada de comida dentro do quarto e não esqueça nada de valor jogado na varanda, pois os macacos roubam tudo!

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Na varando do quarto do Stilts

South Coast Backpackers

Dois dias de Stilts e cansados dos macacos assaltarem nossa comida (porque obviamente não obedecemos a ordem dos funcionários para mantê-la fora do quarto), fomos ao South Beach Backpackers, talvez o mais famoso hostel de toda a praia.

O ambiente ali é delicioso. Vários quartos para dividir entre 2, 4, 6 ou 8 pessoas incluindo uma área para camping também, um bar e uma enorme piscina central. Mesa de pebolim, uma cama libanesa de frente para o jardim e vários espaços ao ar livre para relaxar. Os preços também giram em torno dos 1000ksh pp, ou R$ 30. Tudo tão gostoso, que acabamos estendendo nossa estadia muito mais do que o planejado e atrasamos toda a viagem. Simplesmente não conseguíamos sair dali.

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A vista da cama libanesa (a propósito, este não é o pé da Fê)

Assim como no Diani Campsite, na mesma rua do hostel, em frente ao mar, há um quiosque sem nome que prepara frutos do mar ao gosto do cliente. Cada um dá o que quer e os chefs preparam como dá. Nós por exemplo éramos um grupo de cinco pessoas e cada um deu 700ksh (R$22) para comermos lagosta, lula, caranguejo, peixe, polvo, arroz, salada e batatas. Tudo delicioso e com direito a uma vista fascinante.

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Onde curtir

Veja também o nosso Guia Prático do Quência!

Outra dica é o bar e restaurante Forty Thieves, com ambiente descontraído, além de comida, bebida e música boa! Também recomendamos a visita ao Ali Barbour’s Cave, restaurante mais famoso da cidade e que fica dentro de uma caverna.

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A entrada do restaurante

Tanto Ali Barbour quanto The Forty Thieves são do mesmo dono e têm preço mais salgado. Uma refeição no Ali Barbour por exemplo sai por mais ou menos R$ 90. Ademais, para os que gostam de aproveitar a noite, indicamos a balada Shakatak, que toca música africana e também internacionais.

 

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Dentro do restaurante Ali Barbour’s Cave

Fronteira com a Tanzânia

Enfim, finalmente, no dia 21 de abril, colocamos a mochila nas costas mais uma vez e rumamos sul, sentido Tanzânia. Nesse momento, éramos apenas cinco viajando juntos, o resto do grupo já tinha voltado a Nairobi ou Espanha.

Quatro horas e dois matatus depois, a um gasto de mais ou menos 200ksh (R$6) por matatu, chegamos em Lunga Lunga, última cidade na fronteira do Quênia com a Tanzânia.

Importante: chegar na fronteira com a carteira de vacinação comprovando imunidade à febre amarela!

Em caso de esquecer (como nós), terá que contar com a sorte e seu poder de persuasão. O visto de turismo para a Tanzânia custa 50 dólares e te dá direito a 3 meses no país. Como iríamos passar menos de uma semana ali, pedimos o visto de trânsito (que vale 30 dólares e tem validade de duas semanas) com a desculpa de estarmos a caminho do Malawi.

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O lado tanzaniano da estrada

Com nossa falta de organização, pensamos que teria um caixa eletrônico na fronteira e três de nós (Fê, Tiago e Javi do começo do texto) não tinham dinheiro para pagar o visto. O banco mais próximo estava a 67km dali, em Tanga, cidade costeira do lado tanzaniano.

Depois de uma hora conversando com os oficiais, eles nos deixaram passar e escreveram no nosso carimbo do passaporte que teríamos que pagar na saída do país. Bem, após persuadi-los a nos deixar entrar sem a carteira de vacinação e sem dinheiro para o visto, estávamos, enfim, na Tanzânia.

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Como acordamos na praia de Ushongo, Tanzânia