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Que país incrível para fomentar todo tipo de discussão! Histórica, política, social, etc… Como será a vida no Egito???

vida no Egito

O que pensávamos

As primeiras impressões do Cairo não podiam ter sido melhores. Até agora, todas as pessoas que conhecemos foram extremamente simpáticas e prestativas. Já sabíamos que os brasileiros são muito bem quistos por aqui (principalmente por causa do futebol), mas sabíamos também que o nível de assédio nos países árabes é maior do que em outros lugares e por isso estávamos um pouco receosos.

Quando estivemos no Marrocos em 2010, por exemplo, conhecemos pessoas incríveis mas também passamos por alguns apuros por sermos turistas. Para evitar isso, a Fernanda resolveu andar com um lenço cobrindo o cabelo. Apesar do Egito não pregar a obrigatoriedade do véu para as mulheres, nos sentimos muito mais tranquilos para andarmos pelas ruas.

A barba do Tiago também ajudou e, no final, só percebiam que éramos estrangeiros quando precisávamos perguntar algo em inglês… Aí juntava quase que a calçada inteira de curiosos querendo nos ajudar, saber de onde somos, nos ensinar sobre o profeta Maomé e etc. Enfim, tudo muito respeitoso.

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Quando chegamos lá

No nosso primeiro dia em Cairo fomos imediatamente visitar as pirâmides em Giza. Não há palavras para descrever a beleza e grandiosidade.

No entanto, a situação social nos arredores é horrível. Absolutamente tudo está relacionado a dinheiro. Não dá para ignorar tanta miséria e fica difícil aproveitar completamente a beleza do local. O tour que pegamos por exemplo cobrava aproximadamente $100 por pessoa (que pechinchamos até chegar nos $25 pp) e depois descobrimos que nada desse dinheiro é repassado para o guia, que acaba sobrevivendo apenas das gorjetas que recebe. Todos ao redor pedem dinheiro o tempo todo (para alimentar os animais, a família, a si mesmo…), os animais estão em estado deplorável, com feridas e passando fome. Por conta disso, ficamos muito divididos entre a beleza e importância histórica do local e a situação social das pessoas vivendo ali.

Até mesmo a polícia te pede dinheiro depois de ter tirado uma foto ou dado informação!

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Situação atual

O Egito sofreu um golpe militar em 2013 e pelo que escutamos, se tornou um local muito mais confiável do ponto de vista da segurança pública. Nossa primeira impressão foi a de que o país se encontrava em relativa “paz” depois da revolução. Mesmo tendo visto policiais fortemente armados em quase todas as esquinas que passamos, as pessoas pareciam felizes. Assim como em outros lugares, há uma grande dicotomia entre os que apoiam o presidente Abdel Fattah el-Sisi e os que temem a nova situação política do país.

Críticos ou não, todos com quem falamos foram unanimes em descrever o braço de ferro com que Sisi governa. Em meio a essa política de censura e vigilância que se instaurou, não se vê mais manifestantes na Praça Tahir… os último que ousaram protestar, acabaram na cadeia.

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O que vimos

Depois de alguns dias, passamos a perceber mais medo do que aceitação. Nos pareceu que as pessoas se sentiam mais acuadas do que protegidas pelo novo governo.

Um dos motoristas que conhecemos e que, a princípio, nos disse que o Egito era agora um país calmo e em paz, nos contou mais tardiamente – talvez depois de perceber que éramos de confiança – que a população tem ódio ao novo presidente. “Porque ele não subiu ao poder democraticamente, porque matou mais egípcios do que qualquer outra pessoa a frente do poder no país, porque ninguém mais tem liberdade de dizer ou pensar o que quer já que há informantes do governo em todos os lugares”.

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No entanto, em outro momento, conversando com o dono da empresa de turismo que tínhamos utilizado para viajar pelo Egito, enquanto o mesmo nos levava ao aeroporto, tivemos uma opinião bem diferente. Esse homem claramente tinha uma situação financeira melhor do que a do motorista e não escondia sua simpatia pelo novo governo.

Os dois homens eram muçulmanos, e o segundo defendia seu ponto dizendo que Sisi tinha controlado as ações do Muslim Brotherhood e grupos extremistas. Ele explicou que com o Muslim Brotherhood no poder, o Egito jamais se aproximaria dos países ocidentais, particularmente os europeus e Estados Unidos. Ele então aceita o golpe de estado pois na sua opinião trouxe paz ao país.

Duas opiniões distintas de dois egípcios muçulmanos. Apesar de adorarmos conversas de cunho político, estamos evitando-as por aqui. Esse é o assunto que mais nos interessa, mas entendemos que a situação não é a mais confiável (com jornalistas e ativistas presos) e preferimos não correr riscos.

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Turismo lá

Nós também tentamos não prestar tanta atenção nos problemas sociais, apesar de ser difícil já que nos afeta diretamente (isso pode soar um tanto quanto insensível da nossa parte, mas seria impossível aproveitar qualquer parte da viagem com tanta miséria ao redor).

As pessoas estão mais necessitadas do dinheiro dos turistas já que o número de visitantes caiu muito e esse é um importante setor da economia. A maioria das pessoas sempre viveram e dependem do turismo. Enfim, todos que conhecemos estão muito confiantes de que a economia e turismo do Egito irão melhorar.

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